ROGÉRIO BARROSO
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abril 09, 2006



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março 16, 2006


Em Março, no planeta Terra - nova agressão americana


Em Março
TRÊS ACONTECIMENTOS MUDARÃO A HISTÓRIA DO MUNDO


Rogério Barroso
(Em Sevilha, a 17 de Fevereiro de 2006, à vista do deflagar de mais uma agressão americana ao planeta Terra)


No próximo mês de Março, três acontecimentos vão marcar para sempre a história do mundo em que vivemos. Três acontecimentos menores se os víssemos dissociados uns dos outros, mas, quando olhamos os três em conjunto, um padrão emerge e arrebata-nos de forma monstruosa.
No passado mês de Dezembro, o FED anunciou que iria deixar de produzir e publicar o chamado índice M3, que é publicado desde que o dólar é dólar.
O índice M3 mede a quantidade total de divisas norte americanas em circulação no planeta. O índice M0 indica o total de moeda física nos bancos, notas e moedas, o M1 é o M0 mais as contas à ordem, o M2 é o M1 mais os papéis comerciais e contas a prazo, e finalmente o M3 é o M2 mais as grandes contas em dólares, reservas de outros países em dólar e todas as grandes contas em dólar existentes. No fundo, o índice M3 é a quantidade de moeda norte-americana em circulação.
O FED deixará de publicar esse índice sob o estranho argumento de que ele não acrescenta nada de essencial ao investidor e por isso se poupariam US$ 500.000 anuais ao deixar de alocar recursos para o seu cálculo. Isso é mentira em todas as frentes, pois o índice vai deixar de ser publicado, mas continuará a ser calculado para estatística interna, pois acrescenta uma valiosa informação em relação ao seu antecessor, o M2. É com o índice M3 que o público percebe se as reservas em dólares de países estrangeiros estão aumentando ou diminuindo. É uma informação vital para os mercados cambiais, por exemplo. O mais relevante é a data a partir da qual o índice vai passar a ser escondido do público, 23 de Março. Já veremos como essa data cai como uma bomba, literalmente, nas terras do Irão.
Outro acontecimento para Março é a tão falada nova bolsa de petróleo de Teerão, que se sabe estar por detrás do futuro ataque americano ao Irã. Essa bolsa vai mudar drasticamente a geopolítica mundial. Até agora o mercado de petróleo estava cingido apenas ao NYMEX em Nova Yorque, e à bolsa de Londres. E as suas transacções estavam registradas exclusivamente em dólar. Isso provoca uma procura mundial pelo dólar, para permitir transaccionar no mercado energético, o que, por sua vez, faz aumentar o continuamente preço do dólar.
Mas a bolsa de Teerão será baseada em Euros, pelo que o Irão vai, não só vender o seu petróleo em Euros - e só isso já representa 5% da produção diária mundial - mas vai também arrastar outros países que não querem estar tão sujeitos à instabilidade que o dólar tem vivido ultimamente. A Venezuela já concordou em negociar exclusivamente através do Irão e muitos outros países se seguem. Obviamente, para a Europa também faz mais sentido negociar na sua própria moeda do que incorrer em operações cambiais cada vez que compra petróleo. Isso vai provocar uma mudança geopolítica brutal. À medida que mais países compram em euros, menos o dólar é procurado, levando à sua queda, até à fossa, o que já não anda longe. A acrescentar à descida rápida do dólar estará também a falta de interesse em manter grandes reservas de dólares, pois estes já não serão fundamentais para transaccionar petróleo. Deixa também de ser interessante comprar títulos da dívida pública americana (bonds) e possivelmente haverá tentativas de liquidação desses títulos por parte dos países com excesso de reservas em dólar, redireccionando-as para euros. Isso já se verifica e é a causa do começo da subida das taxas de juros, que será ainda mais rápida. Essa situação, a manter-se inalterada, significava o colapso a curto prazo da moeda americana e consequentemente da sua própria economia.
E quando a bolsa de Teerão vai abrir? Em 23 de Março! Portanto, temos a espantosa coincidência de, no dia em que ocorre o princípio do fim do dólar, acontece também o fim do o indicador das mundiais de dólar... Os americanos nem vão saber de que morte morrem.
O terceiro acontecimento é também o mais relevante. No fundo são dois acontecimentos no mesmo dia. Em 28 de Março haverá eleições em Israel e será realizado (que fique aqui escrito) o primeiro ataque em solo iraniano contra alvos nucleares, que já é aqui vaticinado para 2006 desde Setembro último. El-Baradei apresentará o seu relatório sobre o Irã no princípio de Março, embora o prémio Nobel já tenha dito que o mundo está perdendo a paciência com o Irão. Esse relatório vai servir de desculpa para os ataques subsequentes.
O Times afirmou em Dezembro que Sharon colocara o nível de prontidão das suas tropas no nível máximo, para um possível ataque ao Irão no final de Março (http://www.timesonline.co.uk/article/0,,2089-1920074,00.html).
Vladimir Girinovsky afirmou esta semana saber com toda a certeza que o ataque se dará em 28 de Março. Lembrou também que Condoleeza Rice foi a protagonista da alteração da lei que proibia os EUA de usarem armas nucleares antes do inimigo. Desde Dezembro último é possível aos EUA usarem armas nucleares preventivamente, numa resolução passada no Senado sem qualquer discussão ou cobertura mediática.
Temos então dois cenários possíveis: Ou os EUA atacam o Irão e impedem a abertura da bolsa de petróleo, ou a sua economia colapsará. Eu acredito nas duas simultaneamente, pois a dívida pública norte-americana é de tal proporção que nunca conseguirá se recuperar. O último debate do "Estado da União" nos EUA aumentou em mais de 10% a despesa militar e reduziu todas as despesas com saúde e educação. Nunca um orçamento foi tão gastador como este.
À China não interessa muito o valor do dólar, pois a dívida dos EUA para com eles é tão grande que poderiam comprar a América inteira com os seus bonds. De qualquer modo, a China cedeu aos EUA quando quis desvalorizar o "yuan" ao ritmo do dólar, o que também traria o imediato colapso americano. Assim, o "yuan" foi valorizado artificialmente em 10%, para deixar o dólar respirar um pouco.
E será então o princípio do fim do fim do princípio...



Publicado por jrsb1 em 08:24 PM | Comentar (0)